1 de fevereiro de 2023 | Leitura 4 min

Viqua completa 28 anos

São 28 anos de Viqua, repleto de desafios, conquistas e aprendizados. Sempre enfrentados com muita determinação e foco. Buscando sintetizar essa grande história, o senhor Daniel Alberto Cardozo, fundador da DAC, que posteriormente se tornaria a Viqua, escreveu uma carta aberta a sua empresa, contando um pouco mais sobre sua trajetória e decisões para chegar aonde estamos. E hoje, como forma de motivação e para celebrar esses 28 anos de história, decidimos compartilhar com todos essa carta, a origem da Viqua!

A história

Nasci em Blumenau, em um bairro ocupado e colonizado por imigrantes alemães. Era uma bacia leiteira. As áreas eram divididas pela companhia de imigração do município e entregue aos imigrantes alemães.Meu avô paterno era um imigrante português. A família dele vivia em Itajaí. Minha mãe era filha de imigrantes alemães. Meu avô materno veio para o Brasil com 6 filhos e teve em Blumenau outros 7 filhos.Meu pai e minha mãe se conheceram em Blumenau, onde se casaram e tiveram 6 filhos. Meu pai foi operário na empresa Garcia durante 33 anos. Éramos uma família bastante humilde. Tive que viver os desafios de crescer e encontrar meus caminhos, em meio às necessidades da época, que eram bem diferentes das que enfrentamos hoje.

Desde cedo, comecei a entender que o trabalho faria parte da minha vida. Minha mãe nos ensinava o que era disciplina dividindo as tarefas de casa. Todos ajudávamos. Cada um de uma forma. E foi assim que aprendi, desde as primeiras fases da infância até a adolescência, que DISCIPLINA é a palavra-chave para tudo. Foi a disciplina que abriria os caminhos e que me mostraria outras coisas importante ao longo da vida. Já era, naquela época, uma vida de muitas RESPONSABILIDADES. E eu já percebia que as pessoas ao meu redor agiam a partir dos EXEMPLOS – e que exemplos poderiam ser mais importantes que palavras.

Ainda menino, aos 10 anos, estudava em escola municipal pela manhã e de tarde ajudava um senhor alemão, chamado Anton Kutnner, a produzir balas de banana. As balas de “herr” Kutnner eram famosas pela qualidade. Tudo o que ele produzia já estava vendido. Nesta experiência, aprendi duas coisas muito importantes. Uma delas foi a importância do tempo para cada etapa do processo. Naquele processo, eu selecionada as bananas, depois descascava manualmente para não danificar o produto, colocava no tacho de cobre e ficava mexendo com uma pá de madeira enorme até atingir o ponto correto. Foi ali que tive o primeiro contato com o processo produtivo.

O segundo aprendizado foi o ganho pela recompensa, eu ganhava alguns trocados pelo trabalho e se o trabalho fosse bem feito, a raspa do tacho era minha. Nascia ali o meu gosto pela ORGANIZAÇÃO e pela indústria. No entorno de onde eu morava, apesar da simplicidade, percebia-se como tudo era muito organizado e limpo e todas as casas tinham seu próprio quintal de verduras e canteiro com variedade de flores. Aprendi com aquilo, que a organização é essencial para mostrar a beleza que existe. Talvez isto seja um dos motivos pelo qual sempre cultivei minhas verduras e também gostei muito de flores.

Comecei a trabalhar oficialmente aos 12 anos de idade com cartão de menor – naquela época a lei permitia. Trabalhava de dia e pela noite estudava fora do bairro, pois perto de casa só ia até o 4º ano primário. Trabalhei durante 12 anos em duas grandes empresas – a Artex e a Souza Cruz.  Após esse período, vim para Joinville, onde trabalhei por 20 anos como Projetista na Tubos e Conexões Tigre. Houve uma época em que eu era o único projetista da empresa. Aquela experiência me deu a oportunidade de ter um grande avanço profissional. A verdade é que fui um grande inventor. Tive mais de 30 patentes registradas e lançadas como inovações no mercado. Além da experiência, eu vislumbrava muitas oportunidades pela frente. Saí da empresa já determinado a empreender e ter o meu próprio negócio.

Foi então, em 1995, que comecei a DAC, com um capital próprio, adquiri, transformador, injetora, geladeira (hoje chamada de chiller), torre de resfriamento, compressor e os 3 primeiros moldes de joelho, luva e tê, que produziam peças marrons e azuis com bucha de latão. Tudo isso foi para um galpão que eu aluguei, além da 1ª tonelada de matéria-prima, sendo 500kg de PVC marrom e 500kg de PVC azul. Comecei com 2 funcionários, um na produção e outro no escritório. Na época, tínhamos fax, máquina de escrever elétrica e o que podia ser considerado um supercomputador. Era um 376, uma referência naquela época. 

No início, eu tinha que fazer de tudo. Ajudava na produção, no escritório, fazia os projetos dos novos produtos e o projeto dos moldes, embalava os produtos, fazia as entregas, realizava a cobrança e tirava os novos pedidos. Era trabalho para mais de 12 ou 13 horas diárias. Isso ainda sem folgar sábados, domingos e feriados, pois eram nesses dias que eu me concentrava nos projetos de produtos e de moldes. Nem preciso dizer que vivi esta época de forma muito intensa. Mas vivi também de forma muito feliz, pois o resultado que vinha conquistando era visível.  É claro que também tive muitos dissabores, mas sempre olhava para frente e pensava que amanhã seria outro dia. E assim continuei até aqui.

O novo ciclo

Após 28 anos, estamos com uma empresa com mais de 400 funcionários, terreno e prédios próprios com mais de 10mil metros quadrados, 40 injetoras, 2 sopradoras e 2 extrusoras. Contamos com uma infraestrutura moderna e atualizada, com mais de 600 produtos no portfólio.

Posso afirmar, por meio do meu exemplo, que uma história de sucesso só se constrói com muito trabalho e total dedicação.

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